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A estrada que nomeou uma viragem — Damasco.

*Um momento de Damasco* ainda significa uma conversão. Leia Atos 9:3 — o versículo vem de uma estrada real, numa cidade real, habitada continuamente por mais tempo do que quase qualquer outra na terra.

Acts 9:3

Digite "Damasco" no Google Maps e você chega a 33,5138°N, 36,2765°E — capital da Síria, a cerca de 220 quilómetros a nordeste de Jerusalém. Damasco é uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo; evidência arqueológica regista aqui povoamento de pelo menos 9 000 anos. A cidade que o Antigo Testamento nomeia 45 vezes e o Novo Testamento mais 16 é a mesma cidade no mapa de hoje.

Saulo, na estrada

Atos 9 regista a mais célebre chegada à cidade. Um jovem fariseu chamado Saulo, viajando de Jerusalém para o norte com cartas autorizando-o a prender crentes em Damasco, é surpreendido na estrada por uma luz que não sabe explicar.

Atos 9:3

"E indo ele pelo caminho, aconteceu chegar perto de Damasco, e subitamente o cercou um resplendor de luz do céu."

O versículo é breve. A estrada é real — a rota de Jerusalém a Damasco atravessa o que é hoje o sul da Síria, o mesmo vale que viajantes usam há três mil anos. Cegado, Saulo é conduzido o resto do caminho para dentro da cidade, e Atos 9 dá a morada: a rua chamada Direita. Essa rua atravessa ainda hoje a cidade velha de Damasco, em grande parte preservada no seu traçado romano, em árabe Bab Sharqi — Porta de Leste. Ainda se pode caminhar por ela.

Uma cidade que sobreviveu aos impérios

Damasco já era antiga quando a Bíblia hebraica a nomeia pela primeira vez. Génesis 14 coloca Abraão a passar por lá. No tempo de David, era um reino aramaico; mais tarde, capital provincial assíria; depois, cidade romana, cidade bizantina; e a partir de 661 d.C., capital do Califado Omíada. A Mesquita Omíada, edificada em 705 sobre uma basílica bizantina anterior, alberga ainda um santuário tradicionalmente venerado como a cabeça de João Baptista. O mesmo edifício é uma das mais antigas mesquitas do mundo e um dos raros lugares onde visitantes muçulmanos e cristãos ainda vêm rezar ao mesmo santuário.

O que a guerra civil fez

Desde 2011, a guerra civil síria reconfigurou grande parte do país. A cidade velha de Damasco — Património Mundial da UNESCO desde 1979 — sobreviveu em larga medida, mas os subúrbios e as povoações em redor sofreram pesadamente. A Rua Direita, a cidadela, a Mesquita Omíada e os locais tradicionais da fuga de Saulo (Atos 9:25 — descido pela muralha num cesto) continuam a ser visitáveis, mas o turismo caiu para uma fracção dos níveis pré-guerra. A cidade de cerca de 2,5 milhões de habitantes recupera-se lentamente.

Damasco hoje

Dizer um momento de Damasco em inglês, francês ou espanhol é referir uma viragem súbita e decisiva. Poucos topónimos bíblicos entraram tão completamente na expressão. O versículo que produziu a expressão descreve uma estrada que ainda existe, uma cidade que ainda funciona, uma rua ainda chamada Direita. A geografia de Atos 9 não é memória; é morada.

O versículo fez da cidade uma metáfora. A cidade guardou a estrada que produziu a metáfora.
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