#Moses
6 · Moses
O rosto acima das tábuas é calmo. Rembrandt recusa dizer-nos se vão partir-se.
Séculos de debate: ira ou reverência, primeiro par ou segundo. Rembrandt pintou o instante que ambas as leituras exigem — e deixou o veredicto ao espectador.
Antes da sarça ardente, havia um poço. O libertador começou por carregar água para estranhas.
A sarça brilha ao longe. O poço enche o primeiro plano. Botticelli argumenta que a vocação é preparada por pequenas bondades a estranhas, muito antes de qualquer montanha falar.
Scott filmou Deus como criança. O versículo recusou todas as imagens mais fáceis.
A crítica perguntou porque Scott filmaria Deus como criança. O versículo de que partia não dá rosto algum — só um nome que significa EU SOU.
DeMille filmou a abertura do mar. O versículo por baixo é uma frase curta.
O filme é lembrado pelo espectáculo. O versículo nomeia a postura que o merece: ficai quietos.
Os escravos cantavam *Deliver Us*. O versículo di-lo de outra forma — e Deus ouviu o gemido.
*Deliver Us* é a abertura mais pungente da história da animação. Funciona porque o versículo subjacente se compromete primeiro com uma coisa — ouvir — antes de qualquer outra.
O monte que Moisés subiu mas não desceu — o monte Nebo.
Em dia claro, desta colina jordana avistam-se Jericó, o Mar Morto e, ao longe, Jerusalém. Leia Deuteronômio 34:1 — o versículo que regista a última paisagem que Moisés teve.