Digite "Mar da Galileia" ou Kineret no Google Maps e você chega a 32,83°N, 35,59°E — um lago de água doce no norte de Israel, 21 quilómetros de comprimento, 13 quilómetros de largura, 210 metros abaixo do nível do mar. É um dos lagos de água doce mais baixos do planeta. O lago que os evangelhos mencionam mais de 60 vezes é o mesmo lago onde os pescadores ainda trabalham hoje.
Um versículo na margem
Mateus 4 regista o chamamento dos primeiros discípulos. A geografia é precisa. O versículo nomeia o lago, a acção, os irmãos.
"E Jesus, andando junto ao mar da Galileia, viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar; porque eram pescadores."
Marcos e Lucas registam a mesma cena com pequenas diferenças. O lago é tão central nos evangelhos que tem pelo menos quatro nomes no Novo Testamento: Mar da Galileia (Mateus, Marcos), Lago de Genesaré (Lucas), Mar de Tiberíades (João) e o nome hebraico mais antigo Kineret — em forma de harpa — preservado no uso israelita moderno. Os quatro designam o mesmo corpo de água.
O que o lago ainda guarda
Em 1986, durante uma seca que baixou o nível do lago, dois irmãos de um kibutz da margem oeste notaram restos de madeira que saíam da lama. O barco que emergiu — hoje exposto no Museu Yigal Alon no Kibutz Ginosar — foi datado por carbono entre 40 a.C. e 50 d.C., ou seja, o período de vida laboral dos efectivos contemporâneos de Jesus. A embarcação tem 8,2 metros, espaço suficiente para uma tripulação de quatro a cinco. É precisamente o tipo de barco que o versículo descreve os irmãos a usar.
Onde aconteceram os milagres
A margem norte concentra a maior parte da geografia evangélica. Cafarnaum, cidade natal de Pedro, fica no canto noroeste do lago — fundações da sinagoga do primeiro século e o local tradicionalmente identificado como casa de Pedro, ambos ainda escavados e visíveis. Tabgha, a poucos quilómetros a oeste, é o local tradicional da multiplicação dos pães. O Monte das Bem-aventuranças ergue-se logo acima. O Jordão entra no lago a norte e sai a sul, o mesmo curso fluvial do versículo, no mesmo mapa.
Um lago sob pressão
O Mar da Galileia continua a ser o principal reservatório natural de água doce de Israel, fornecendo cerca de um quarto da água potável do país. Décadas de uso intensivo baixaram-lhe o nível perigosamente até aos anos 2010. Uma conduta permite agora bombear água dessalinizada para dentro do lago em anos secos — pela primeira vez na história este lago recebe água do mar em vez do contrário. A água do versículo é ainda a água da torneira.
O Mar da Galileia hoje
Turismo, pesca e agricultura partilham a margem. Restaurantes da costa noroeste continuam a servir o peixe de São Pedro — uma tilápia nativa. As tempestades ainda se levantam de repente das colinas circundantes, como nos evangelhos (e levantou-se grande tempestade de vento — Marcos 4:37). O barco continua pequeno. A água continua fria. As mesmas perguntas que os discípulos lá lançaram permanecem no barco com quem nele entrar.
A maioria das águas bíblicas desapareceu. Esta sustenta o versículo e o barco ao mesmo tempo.