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A ilha de exílio que escreveu um livro — Patmos.

Uma pequena ilha do Egeu tornou-se, quase por acaso, a morada do último livro do Novo Testamento. Leia Apocalipse 1:9 — o versículo nomeia a ilha. Continua a ter população, uma gruta e um mosteiro.

Revelation 1:9

Digite "Patmos" no Google Maps e você chega a 37,31°N, 26,55°E — uma pequena ilha no sudeste do Egeu, no Dodecaneso grego, a cerca de 60 quilómetros da costa oeste da Türkiye. A ilha tem cerca de 34 quilómetros quadrados, com forma de cavalo-marinho e uma população permanente de cerca de 3 000 habitantes que se multiplica no Verão. O versículo de Apocalipse 1 nomeia este lugar como a morada de onde foi enviado o livro.

Um versículo e uma morada

O Apocalipse abre com João a identificar-se a si, ao lugar onde está e à sua condição. O versículo é invulgarmente preciso — a maioria dos autores do Novo Testamento não regista o local exacto da escrita.

Apocalipse 1:9

"Eu, João, irmão vosso, e companheiro na aflição, no reino e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo."

O grego para estava é egenomēnvim a estar, com a implicação de chegada contra a própria vontade. A tradição, apoiada por fontes antigas como Eusébio, identifica a causa como exílio sob Domiciano (imperador entre 81 e 96 d.C.). Patmos foi usada por Roma como lugar de degredo, sobretudo para crimes políticos e religiosos cujas famílias não eram poderosas o suficiente para os recuperar. O versículo não especifica a sentença; especifica o lugar. João regista a ilha como uma carta contemporânea registaria a sua morada de retorno.

O que há na ilha

A Gruta do Apocalipse (Spilaio tis Apokalypseos) é uma pequena gruta a meia encosta entre o porto e a Chora — a vila principal da ilha. A tradição identifica-a como o lugar onde João recebeu as visões registadas no livro. A gruta integra-se num complexo monástico; na rocha visível há uma fenda tradicionalmente associada ao momento em que a grande voz como de trombeta (Apocalipse 1:10) rachou a pedra. O sítio é venerado pelo menos desde o século IV. Em 1999 a UNESCO inscreveu a gruta e o Mosteiro de São João Teólogo acima dela como Património Mundial.

Um mosteiro na silhueta

O Mosteiro de São João foi fundado em 1088 pelo monge bizantino Cristodoulo, numa colina sobre a gruta. As suas muralhas-fortaleza dominam o perfil da ilha. Lá dentro guardam-se bibliotecas com algumas das mais importantes colecções de manuscritos do mundo ortodoxo — entre eles um fragmento de pergaminho púrpura do século VI do evangelho de Marcos (o Codex Purpureus Petropolitanus) e cópias do Apocalipse com séculos de antiguidade. O mosteiro funciona de forma contínua há quase mil anos, tendo sobrevivido a ataques cruzados, à conquista otomana, à ocupação italiana e à ocupação alemã em tempo de guerra.

Como João partiu

O Apocalipse terá sido concluído durante o exílio de João. A tradição sustenta que após a morte de Domiciano em 96 d.C., o seu sucessor Nerva permitiu o regresso dos exilados. Diz-se que João deixou Patmos rumo a Éfeso, onde morreu já em idade avançada. O versículo de Apocalipse 1:9 marca, portanto, não apenas uma chegada mas, no fim, também uma partida. A ilha que produziu o livro não guardou o seu autor. Guardou a morada.

Patmos hoje

A ilha grega tem cerca de 3 000 residentes durante todo o ano, sobretudo em três aldeias: o porto (Skala), a Chora no alto em volta do mosteiro, e a aldeia de Grikos. A economia depende largamente do turismo, com navios de cruzeiro a atracar e peregrinos de Páscoa a subir o caminho íngreme entre porto e mosteiro. A 9 de Maio celebra-se localmente a festa de João Teólogo; tanto a gruta como o mosteiro continuam a ser lugares religiosos em actividade, com liturgia ortodoxa diária. O Apocalipse foi enviado desta morada. A morada continua a receber correio.

Um versículo identificou uma ilha. A ilha responde ao nome há quase 2 000 anos.
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