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Uma pequena cidade nomeada na Escritura — Belém.

A mesma Belém que o profeta Miqueias nomeou no século VIII a.C. é a mesma cidade cercada por um muro hoje. Por que Miqueias 5:2 é o versículo de Natal mais citado, e como é esse endereço hoje.

Micah 5:2

Digite "Belém" no Google Maps e você chega a 31,7054°N, 35,2024°E — cerca de oito quilómetros a sul de Jerusalém, do lado cisjordaniano do muro de separação. A cidade das manchetes de hoje é a mesma cidade que o profeta Miqueias nomeou no século VIII a.C. Mesmo nome. Mesma colina. Os mesmos olivais por perto.

Um versículo 700 anos antes do nascimento

Miqueias escreveu por volta de 740–700 a.C., quando Belém era uma aldeia tão pequena que o profeta precisa identificá-la duas vezes: tu, Belém Efrata, pequena entre os milhares de Judá. E diz então — a uma cidade que naquele tempo não tinha qualquer razão para esperar importância — que dela sairá um governador em Israel.

Miqueias 5:2

"E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que será governador em Israel."

Setecentos anos depois, Mateus 2 cita este versículo para explicar por que os pais de Jesus foram lá para o recenseamento. A mesma colina de onde veio Davi. A mesma cidade que o profeta nomeara. Um versículo, duas aparições do mesmo nome através de sete séculos.

O que ali se encontra hoje

A Basílica da Natividade, erguida sobre a gruta tradicionalmente identificada como o lugar de nascimento de Jesus, é uma das igrejas mais antigas em funcionamento contínuo no mundo — a sua forma actual data de 565 d.C. Os peregrinos vão lá há pelo menos 1 700 anos. A igreja é hoje partilhada pelas comunidades greco-ortodoxa, católica romana e apostólica arménia, segundo o Statu quo de 1853, ainda em vigor.

Fora da igreja, Belém é hoje uma cidade palestiniana de cerca de 30 000 habitantes, maioritariamente muçulmana com uma importante minoria cristã. Desde 2002, a barreira de separação israelita corre pelo limite norte da cidade — um muro de betão coroado por torres de vigia que os viajantes têm de atravessar quando vêm de Jerusalém. O muro tornou-se uma tela involuntária; Banksy e outros artistas de rua tornaram partes dele mundialmente famosas.

Casa do pão

O nome hebraico Beit Lechem significa casa do pão. O vale em redor da cidade é cultivado há pelo menos três mil anos. O livro de Rute decorre lá durante a colheita do trigo. As oliveiras das encostas vizinhas têm habitualmente mais de 500 anos; algumas, por datação por carbono, têm mais de 1 500. O pão que deu o nome à cidade, em parte, ainda cresce ali.

Belém hoje

O turismo é a principal indústria da cidade — ou era, antes da segunda Intifada e, mais recentemente, antes das perturbações da Covid e do pós-2023. O Natal continua a ser observado publicamente: a comunidade greco-ortodoxa a 7 de Janeiro, as Igrejas ocidentais a 25 de Dezembro, os arménios a 18 ou 19 de Janeiro. A multidão na Praça da Manjedoura à meia-noite da véspera de Natal é um dos raros momentos em que o nome bíblico da cidade e a política do presente cabem visivelmente no mesmo enquadramento.

Um versículo nomeou o lugar há 2 700 anos. O lugar continua a responder pelo nome.
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