Em 1657, Rembrandt fez uma pequena água-forte de Cristo no jardim de Getsémani. Pouco maior que um postal. Uma figura em veste escura está de joelhos no primeiro plano, os cotovelos sobre uma rocha, as mãos cruzadas. O rosto está inclinado para cima. Por cima dela, um anjo inclina-se. A mão do anjo está no ombro de Cristo. Algumas linhas de tramado sugerem árvores e escuridão. É tudo o que a imagem contém.
O cálice que poderia ter sido retirado
Atrás deles, numa zona ainda mais escura que o resto, os três discípulos que deviam vigiar dormem — um ombro, um pé, um pedaço de manto. Rembrandt mostra-os como sombras sob sombras. A vigília falhou.
A oração que pede
O Evangelho de Lucas regista a oração em palavras precisas:
"Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua. E apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia. E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão."
Se queres, passa de mim este cálice. É uma oração condicional. Se. Não é aceitação estoica. É um pedido para que aquilo não aconteça — seguido imediatamente da entrega do pedido. O homem ajoelhado no jardim queria outro desfecho. Pediu por ele. Não o recebeu.
Só Lucas regista o anjo, e só Lucas regista o suor como gotas de sangue. Os outros Evangelhos dão apenas a oração. Lucas acrescenta a resposta do corpo. Um extremo de pavor que o próprio sistema vascular regista — uma condição médica hoje conhecida como hematohidrose, que ocorre sob medo extremo. A água-forte de Rembrandt guarda o anjo, mas o sangue não se vê. Está implícito na inclinação do rosto, no modo como uma mão parece agarrar a outra.
A ajuda que não muda o desfecho
O anjo da água-forte não resgata. O anjo não diz: podes saltar isto. O anjo não leva Cristo embora. O versículo diz que o anjo o fortalecia. Fortalecido para quê? Para o resto da noite, que incluirá a prisão, o julgamento e a cruz. O anjo ajuda-o a permanecer no cálice, não a evitá-lo.
É uma forma estranha de ajuda. Rembrandt mostra-a como uma mão sobre um ombro. Não uma mão que levanta. Uma mão que acompanha.
Os quarenta segundos
Copie o versículo à mão — só o pedido: se queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua. Quarenta segundos. Nesse tempo sente o que a água-forte sabe. Que algumas orações recebem por resposta uma presença, não uma mudança. Que a mão sobre o seu ombro está por vezes ali não para o mover, mas para ficar consigo enquanto faz o que tem de ser feito.
O cálice não foi retirado. A mão não foi levantada. Os três atrás ainda dormem.